A cara por trás da máscara

Muita coisa e quase nada, depende das perspectivas.

15 abril 2007


A minha mente vagueia, todos os dias um pouco mais,

Todos os dias me arrastando um pouco mais para o fundo

Um pouco mais para a cova, um pouco mais para a verdade

Que tão covardemente esconde de nós que nada somos

Que nada representamos, que nada valemos...

Na verdade esconde de nós que a maior sorte que temos é a morte


Morrer! Que mal há em morrer?

Todos morremos um dia!

Aliás, todos morrermos duas vezes!

Primeiro morre a alma, transformando a nossa existencia

Numa guerra sem sentido entre a vontade de morrer

E a esperança de vida que nos reserva o coração

Máquina ingrata que nos mantém de olhos abertos

Perante tamanha injustiça que sofremos

De não querermos estar onde estamos, de querer fugir e não conseguir

Afinal quem consegue fugir da própria mente?


Caimos num poço de loucura -

-Pessoas normais por fora

Feras feridas e em agonia por dentro

Não somos mais que fantoches num teatrinho mórbido

Ao qual alguém resolveu chamar "vida"


Mas o tempo passa e aprendemos a controlar a fera

Normalizamos o interior elouquecendo o exterior

E assim resistimos a nós próprios e ao mundo

Até que um dia, um dia em que o sol até pode brilhar

O nosso papel acaba e voltamos para os camarins

Para nos prepararmos para o papel seguinte


Foi a morte que veio acabar o que tinha começado

E aquilo que o mundo teme torna-se a mais abençoada das dádivas

E em paz, separamo-nos do corpo:

Ele desce para dar vida, e nós...

Quem sabe o que é de nós????

Algo será. Melhor? Pior?

Resta-nos esperar pelo fim do nosso papel e ver o que acontece


Até lá continuamos a ser fantoches no teatrinho mórbido

Ao qual também nós chamamos vida

Tentando não falhar a deixa nem perder os tempos...

28 março 2007

Loucura é o motor da vida
É o que nos faz andar à chuva num dia de temporal
É a razão irracional que não nos faz pensar
Só agir
Como o vento que nos beija a face
Como um pássaro
Que tem o desplante de nos acordar numa maravilhosa noite de Primavera
Com a sua hipnotisante melodia
De quem canta sem saber música

Loucura é o ar que sustenta a vida
É o nada que sustenta a alma
É o tudo que não sustenta tina
Onde boiam os nossos sonhos
Uns por realizar, outros como lembrança
É a ligação entre o passado esquecido
E o futuro por adivinhar
Onde sempre se adivinham
Pensamentos sem sentido
Dirigidos para a frente e apoiados atrás


Loucura somos nós
Sem tabus nem convenções
Na nossa mais pura essência
Porque nascemos loucos, da loucura de alguém
Que nos ama loucamente sem ter razão para isso
Porque vivemos a amar:
Amamos alguém
Amamos o mundo
Amamos o ódio que temos ao amor
Amamos a morte
Ou pura e simplesmente amamos o amar
Máscara maravilha da sanidade dos insanes
Porque a loucura é o rosto de quem vive
A alma de quem sente e o descanso de quem morre