
A minha mente vagueia, todos os dias um pouco mais,
Todos os dias me arrastando um pouco mais para o fundo
Um pouco mais para a cova, um pouco mais para a verdade
Que tão covardemente esconde de nós que nada somos
Que nada representamos, que nada valemos...
Na verdade esconde de nós que a maior sorte que temos é a morte
Morrer! Que mal há em morrer?
Todos morremos um dia!
Aliás, todos morrermos duas vezes!
Primeiro morre a alma, transformando a nossa existencia
Numa guerra sem sentido entre a vontade de morrer
E a esperança de vida que nos reserva o coração
Máquina ingrata que nos mantém de olhos abertos
Perante tamanha injustiça que sofremos
De não querermos estar onde estamos, de querer fugir e não conseguir
Afinal quem consegue fugir da própria mente?
Caimos num poço de loucura -
-Pessoas normais por fora
Feras feridas e em agonia por dentro
Não somos mais que fantoches num teatrinho mórbido
Ao qual alguém resolveu chamar "vida"
Mas o tempo passa e aprendemos a controlar a fera
Normalizamos o interior elouquecendo o exterior
E assim resistimos a nós próprios e ao mundo
Até que um dia, um dia em que o sol até pode brilhar
O nosso papel acaba e voltamos para os camarins
Para nos prepararmos para o papel seguinte
Foi a morte que veio acabar o que tinha começado
E aquilo que o mundo teme torna-se a mais abençoada das dádivas
E em paz, separamo-nos do corpo:
Ele desce para dar vida, e nós...
Quem sabe o que é de nós????
Algo será. Melhor? Pior?
Resta-nos esperar pelo fim do nosso papel e ver o que acontece
Até lá continuamos a ser fantoches no teatrinho mórbido
Ao qual também nós chamamos vida
Tentando não falhar a deixa nem perder os tempos...